16/06/2014
FRESP
Copa, mobilidade e o legado possível
Por Regina Rocha

Chegado o tempo do maior evento esportivo de 2014, a Copa do Mundo de Futebol no Brasil traz à tona um importante capítulo do planejamento das cidades: a mobilidade urbana. 

Mesmo que metade dos projetos de mobilidade para a Copa tenha ficado apenas no papel, ou atendido somente aos entornos de estádios, não nos falta a oportunidade de cobrar por elas, ainda que não dentro do prazo ideal da competição. Certamente esses projetos de mobilidade – se corrigidos (já que para o Governo Federal foram falhas neles que não permitiram suas execuções) ainda são bastante úteis à população, e para o setor de transportes em especial. Novos VLT – trens urbanos, estações de metrô e corredores específicos têm sua importância reconhecida. Quanto mais alternativas que barrem a crescente de automóveis nas ruas, melhor. 

Ao fim deste mundial teremos a chance de avaliar se o transporte público foi eficaz conforme o esperado. Acreditamos que sim, porém sabemos o quanto o segmento de transportes pode ser potencializado com a parceria da iniciativa privada. Nesse ponto, o setor de fretamento regularizado e cumpridor da lei tem nada menos que uma frota de 15 mil ônibus, micros ônibus e similares no Estado de São Paulo pronta a atender as demandas de passageiros que cada vez crescem mais,  seja para ir ao trabalho, à escola ou mesmo para o passeio de fim de semana, e para acontecimentos grandiosos como a Copa. 

O transporte regular de pessoas por fretamento também é saída eficaz na mobilidade urbana, tanto que ganhou destaque aos olhos do Banco Mundial – órgão ligado à ONU – Organização das Nações Unidas. Há cerca de 10 meses um programa piloto do banco vem sendo aplicado em conjunto com dez grandes empresas ‘da Berrini’, a famosa área de executivos na zona Sul de São Paulo. Sediadas na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, essas empresas foram convidadas a incentivar seus funcionários a deixarem em casa carros particulares – uma experiência similar a adotada nos Estados Unidos, que buscou na iniciativa privada parte da solução para o problema da mobilidade. 

Resultado paulista: entre outros meios de chegar ao trabalho, destacou-se o fretamento, com um aumento de adesão em 4% até agora. Há menos de um ano, 6% dos trabalhadores dessas empresas utilizam os ônibus de fretamento. Hoje, são 10%. Mesmo que nem todos os trabalhadores relatem diminuição de tempo no trajeto, todos os que passaram a usar o fretamento celebraram a melhora na qualidade de vida: o stress do trânsito hoje se converteu em tempo para descansar ou ler durante o caminho. 

O fretamento é uma das bem sucedidas alternativas do programa, que junto com as demais, como incentivo ao transporte público, resultou até o momento em uma redução de 3% entre os usuários de carro (eram 53%, passaram a 50%) e numa melhor fluidez no trânsito nos horários de pico da região. Iniciativas como esta mostram que um novo olhar do poder público e iniciativa privada sobre fretamento é possível, e benéfico, sobretudo em grandes cidades. As que ainda não têm trânsito intenso ganham mais uma competente forma de evitá-lo, e as que têm, de diminuí-lo.

Regina Rocha é diretora executiva da FRESP (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo), bacharel em Direito e em Turismo, atua há mais de dez anos no transporte rodoviário e turístico, tendo sido por seis anos titular da cadeira de fretamento junto a Comissão de Transportes da ARTESP, onde hoje é primeira suplente.

Sobre a Fresp: A federação é uma entidade sindical de grau superior, constituída com o objetivo de agrupar, representar, coordenar, proteger e estimular o aprimoramento das atividades de transporte de passageiros por fretamento.  Hoje a FRESP é composta por sete sindicatos: SETFRET, SINFRECAR, SINFREPASS, SINFRESAN, SINFRET, SINFREVALLE e TRANSFRETUR espalhados pelo Estado de São Paulo. Os sindicatos juntos congregam mais de 300 empresas de transporte profissional de pessoas por fretamento.

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